Por onde começar? Isso aqui vai acabar sendo o conteúdo de uns 3 posts em um. Acho que é o preço que eu pago por abandonar a página por meio ano, mas eu renovei o domínio então eu preciso aproveitar
Minha vida mudou completamente desde o meu último post, eu me mudei, ingressei no ensino superior, e, por mais que eu esteja conhecendo mais pessoas do que nunca, eu também nunca me senti tão sozinho.
A minha intenção não é falar tanto sobre dificuldades relacionadas a parte acadêmica da graduação, as quais existem, afinal, ninguém tem dó por você ter tido um ensino médio fraco de escola pública num curso de engenharia elétrica de universidade federal. As cotas acabam assim que você entra? Sim, mas isso, novamente, não é o meu foco, agora já sinto que estou entrando no ritmo e até gostando de algumas matérias.
Mesmo com vários desses pensamentos ruminando na minha cabeça desde mais ou menos março desse ano, o catalisador pra me fazer escrever de novo foi um vídeo da Hazel... Denovo.
Os vídeos dessa moça tem uma capacidade impressionante de mexer comigo num lugar que eu anteriormente reprimi a ponto de esquecer de sua existência, muitas vezes de maneiras que não tem nada a ver com o tópico original do vídeo. Ela é uma das pessoas que eu já aceitei que nunca vou nem chegar aos pés quando se trata de qualidade de roteiro e escrita, os desvios no assunto tangenciais ao tópico original indagando no impacto pessoal que certas coisas tem nela e sobre como interagimos com o passado de certas maneiras ficaram na minha cabeça por tanto tempo justamente por conta de como eu mesmo sinto que me privei dessas experiências na minha juventude pra me encaixar socialmente. Óbvio que agora sendo uma pessoa amadurecida é fácil falar que eu teria feito X ou Y diferente e sido uma pessoa orgulhosa de quem eu realmente sou, mas pensando no contexto do momento talvez eu tenha me exposto até demais, eu definitivamente colhi os frutos em formato de bullying na época por admitir que gostava de Cardcaptors no 5º ano e por ser clockado como Furry no ensino médio, entre outros. Em troca agora eu sei falar relativamente bem sobre futebol, o que é basicamente um passe livre pra se inserir em qualquer círculo social masculino, mesmo que de maneira rasa.
Os últimos 2 ou 3 anos serviram como uma tentativa de reparação de toda essa repressão interna minha. O canal do YouTube ajudou muito nesse quesito, como eu me fechei a ponto de que não tinha ninguém com quem falar sobre essas coisas que eu secretamente gostava, liguei a câmera e joguei os vídeos pro mundão, certamente ajudou, me apaixonei novamente por Digimon naquele vídeo, falei de Klonoa pela primeira vez em muito tempo, me abri mais pra comunidade de osu (que na época eu jogava há mais de 7 anos e ainda não tinha conhecido ninguém por conta dele, acredita??), foi inclusive nesse período de tempo que entrei no discord brasileiro de osu!taiko, e pela primeira vez na vida eu me senti confortável ao conversar num chat do discord, mas eu, no fundo sabia que ainda faltava alguma coisa ali, no caso... conhecer pessoas, físicas, em carne e osso mesmo, cabuloso né?
Talvez a partir daqui eu que seja o problema, em comparação com minha tentativa digital, que pros meus parâmetros deu certo (pelo menos do lado social né, porque pra dar certo de verdade meu canal teria viralizado e eu ficado rico), minha tentativa na vida real de me inserir em círculos de interesses alternativos foi uma merda.
Eu não sou descolado o suficiente pra entrar de cabeça nos círculos alternativos da cidade nova, afinal isso exige know-how interno e culhão pra sair de noite na rua sem medo de ser assaltado, algo que eu com certeza absoluta não tenho. Me resta bolhas locais de fandoms médias/grandes. Pequenas não afinal eu obviamente não vou achar nem míseros 5 fãs de DDR ou Taiko no Tatsujin ou The Verve pré Urban Hymns pra fazer amizade numa cidade desse tamanho, dito isso achei com relativa facilidade um telegram de Furries dos arredores da cidade. O choque de realidade em interagir com outros furries de verdade pela primeira vez eu só consigo assemelhar ao sentimento de tomar um caldo na praia. Não é de agora que a minha principal maneira de existir no mundo digital seja exclusivamente dar RT em fursuiters e arte furry no meu (agora suspenso, pau no seu cu Elon Musk) Twitter, mas, apesar de algumas tentativas fracassadas em falar em chats de discord ou interagir com artistas muito melhores que eu no twitter, eu nunca tive um amigo dentro da fandom. E agora dentro desse chat eu me senti mais turista do que nunca. Acontece que ser furry não dá leniência o suficiente pra todas as pessoas dentro desse groupchat conversarem em território de igualdade. Rola algumas conversas muito interessantes, assuntos técnicos, gente inteligente, ao mesmo tempo que outra pessoa quebra completamente o ritmo com algum papo torto e alguma figurinha que remete ao fetiche X Y ou Z daqueles mais comuns entre furries. Eu não sou santo, não vou ficar pagando de senhor não sabe o que é Yiff e nunca entrou no e621 mas realmente me chocou um pouco a falta de filtro de certas pessoas, não em livremente se expressar como babyfur ou fatfur ou qualquercoisafur, coisa com a qual eu não tenho o menor problema, e sim com não conseguir ler a sala num chat originalmente SFW para saber se aquilo é a hora e o local adequado. Por isso a analogia do caldo, o mar é lindo e gostoso pra caramba, até uma onda um pouco diferente das outras ir aparecendo, no começo insignificante o suficiente pra ignorar, até te engolir e te afogar por 5 a 30 segundos e matar a graça do mar.
Tudo isso pra falar que eu ainda não me senti confortável nos círculos sociais dessa cidade nova em que eu estou, parte por estar longe de tudo e todos que eu conheço num raio de 300km, e parte por também me forçar um pouco fora do meu status quo social em tentar fazer amigos que realmente tenham algo em comum comigo fora o fato de fazer o mesmo curso. Não sei se eu ainda preciso falar isso, mas essa história que eu contei é um EXEMPLO. Óbvio que não precisa ser furry pra ser meu amigo, afinal todos os meus amigos que eu fiz em mogi não são, e em alguns casos são pessoas que eu busco levar pelo resto da minha vida, pelo laço de amizade genuína que eu acho que a gente criou nesse período em que eu existi lá, mesmo as vezes no papel não tendo nada a ver comigo. Mas amizades por hobbies semelhantes segue sendo um ramo em que eu peco.
Semestre que vem eu entro num projeto de extensão e dou um jeito nisso, mas assim, eu acabei de entrar e mal posso esperar pra me formar, você não tem noção. Obrigado por ler e por abrir esse site mesmo depois de um hiato tão absurdo como esse. Abraço