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17 de dezembro de 2024

A verdadeira pior cidade do Brasil

     Vamos supor que você é brasileiro e enriqueceu, seja como foi, você agora faz parte da minoria, da elite, e quer colher os frutos de seu esforço com uma viagem prolongada ou adquirindo uma casa na praia, de veraneio, inverneio, tanto faz; o Brasil é um país vasto em território e variedade, não faltam opções de cidades desenvolvidas e confortáveis para passar um tempo longe da rotina.

    As cidades grandes, Rio de Janeiro, São Paulo, todas tem seus bairros super luxuosos impenetráveis para o cidadão médio, Leblon, Pinheiros, oferecem todo o conforto que essas supermetrópoles infernais podem oferecer, caso a correria de capital não seja pra você, as regiões serranas do interior são muito bonitas e certamente abrigam muitos da classe alta no inverno, Gramado, Campos do Jordão, são diferentes de qualquer outro lugar daqui.

    Tem também o litoral, aposto que o sonho de muita gente é ter casa na praia, e a costa gigantesca do Brasil facilita um pouco disso, Seja recife ou ubatuba, até que é uma opção legal para quem gosta de praia.

    Mas aí tem Balneário Camboriú.

    Caso você seja 'aquele' tipo de rico: agroboy, divulgador do tigrinho, day trader, só uma cidade vai te receber calorosamente de braços abertos, o litoral menos litorâneo do Brasil.

     Num país com tantas opções legais pra viver sua vida de rico, Balneário consegue levar o prêmio de ser uma das mais visitadas e uma potência turística da região sul, por que? Não me pergunte. Sua roda gigante e praia 50% artificial atraiu esse público específico de ricos sem gosto, não é difícil ver Lamborghinis e RAM 2500 passeando pela orla nos fins de semana, e, sabe, eu também gosto de carro, mas como carros tão caros conseguem passar tanto uma impressão de que o motorista não tem o menor pingo de personalidade? Sabe, quando eu vejo um volvo na rua, eu sei que é um velho com gosto, mas quando eu vejo uma RAM, eu tenho CERTEZA de que o motorista é um metido a cowboy tentando impressionar menina, são os dois carros quintessenciais de ricos sem alma.

    É exatamente essa a impressão que eu tenho de Balneário Camboriú após o lançamento de Descer pra BC.


    

    Tem muito o que discutir sobre o estado atual da música brasileira, e é difícil falar sobre o quão ruim as coisas realmente ficaram sem soar como um vira-lata chato, recentemente parece que nos tornamos uma fábrica do cenário indie, Trrpln, Sonhos tomam conta e Samlrc são só alguns exemplos de artistas que receberam atenção positiva mundialmente, sem falar que somos um expoente na evolução da música eletrônica, não é a toa que o d.silvestre e o Ramon Sucesso apareceram no Pitchfork enquanto o RaMeMes ganhou um salve do Theneedledrop, o que eu quero dizer é que, contrário do pensamento popular, TEM SIM muitos artistas geniais que ainda vem de solo tupiniquim, o problema é que eles não recebem a atenção que merecem.

    O que mais me incomoda é que parece como até quem escuta essas músicas regularmente não gosta delas, é só ir nos comentários de qualquer música do Pedro Sampaio ou do Zé Felipe que uma piada falando mal da música deles provavelmente vai estar entre os cinco comentários mais curtidos. Pra quem são feitas essas músicas???

    E é aí que Descer pra BC acerta o alvo em cheio, quem escuta esse tipo de música é exatamente o tipo de pessoa que viaja pra Balneário no fim de ano, "cascos de pessoa com dinheiro e sem alma" é meio forte, mas exemplifica bem o que eu quero dizer.

    Brenno & Matheus caracterizam um fazendeiro cansado da vida rural, e que decide ir passar o fim de ano na praia, adoro que em uma das frases musicais a letra diz: "Prefiro pé na areia do que pé no capim", e a câmera dá zoom na areia mais CINZA e sem vida possível, depois, quando a câmera volta pra cara do Brenno (ou do Matheus, eu realmente não sei), não dá nem pra ver o mar, resultante da megaobra de alargamento artificial da praia. É esse o tipo de cinematografia sutil que eu quero ver na minha mídia!

 

Que areia maravilhosa. 

 

Se forçar bastante a vista, talvez dê pra ver o mar.

     O refrão dessa música circulou bastante na internet, a presença completamente aleatória de pessoas coloridas vestidas de alien realmente vende essa cena pra mim, tem até um alien anão. É algo que facilmente podia ser dum vídeo do Rezendeevil sendo usado pelas fábricas de industry plants pelo Brasil afora, seriam eles os "bombomzinhos pra pegar e morder" que a música fala sobre? Talvez.

 

postagem no bsky 

 

    Falando sério, eu queria parabenizar o Brenno & Matheus e o DJ Ari SL por essa música, eles zeraram a fórmula de hit número 1 dos streamings brasileiros, é uma canção construída em laboratório para ser tocada em 75% dos rádios de carros que descem a serra catarinense nesse fim de ano, falar que "meu ano só começa depois do carnaval", bate perfeitamente com a data de lançamento da música, é tão formulaico que se torna uma máquina de dinheiro perfeita, parabéns. E agora tão fazendo dinheiro pra caralho, inclusive em cima de quem tá de bunda doída pela existência dessa música, seja proposital ou não, eles viraram parte do exato público que visita balneário no fim de ano.

     Caso você queira vez mudança real no cenário musical contemporâneo, não culpe quem faz a música, e sim quem escuta.

24 de novembro de 2024

Não para, não!

 "You can't change the channel anymore!"

 

    Um mês onde eu meio que deixei este blog de lado, foi mal, fica aqui minhas desculpas esfarrapadas.


    Desde a minha última postagem até hoje eu fiz 6 vestibulares, uma mistura de ENEM, provão paulista, FUVEST, et cetera, não é que não sobrou tempo para escrever, mas isso junto com o fim de ano de curso técnico, onde todos os professores querem aplicar prova logo para fechar o ano antes de dezembro me deixou esgotado a ponto onde escrever deixou de ser algo do meu dia a dia. Em compensação eu estive experimentando com outras plataformas, recentemente eu publiquei o meu primeiro vídeo no YouTube, e fiquei bem satisfeito com o resultado e recepção positiva, estou trabalhando em mais, mas por conta desse rush escolar vai levar um tempo ainda pra sair.

    


    É muito legal ver as habilidades que eu desenvolvi escrevendo aqui se concretizando num projeto de maior escala, terminar esse vídeo foi uma das coisas mais prazerosas que eu fiz nesse ano, e foi a primeira vez em que eu recebi um feedback positivo, das pessoas dando like e comentando, elogiando... eu sempre tive essa ideia de fazer vídeos como primeiro plano mas nunca tive a coragem de realmente terminar alguma coisa, eu falo sobre isso no fim desse vídeo, por sinal.

    É bom saber que alguém assistiu e gostou de algo que eu criei, eu quero fazer isso mais vezes.


    Provavelmente agora as coisas vão desacelerar e eu vou poder focar de novo em projetos criativos, mas essa pausa vai durar pouco, eu estou entrando no terceiro ano do médio e a partir de janeiro a prioridade nº1 será o vestibular, só que eu não quero parar de criar!!! O maior desafio do ano que vem vai ser tentar equilibrar essas duas coisas, eu provavelmente vou ter que cortar o osu! da minha rotina pra criar espaço.

    Dito isso, não sumi, e pretendo não sumir. Até a próxima, não vou abandonar esse blog por tanto tempo denovo.