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8 de fevereiro de 2024

Por que o pensamento crítico do nosso cérebro não se aplica a nostalgia?

     Sério, que bosta.


    Agora estou nostálgico e recordando-me sobre um período da minha vida que teve partes boas, sim, mas que eu me lembro muito bem de não estar gostando dele quando estava passando pelo mesmo.

    Eu não vou nem tentar me alongar demais pra tentar desembaralhar o que eu estou tentando dizer, porque eu não tenho tempo pra isso, já tá tarde e prefiro deixar isso pra outro dia, mas esse sentimento é um lixo.

28 de janeiro de 2024

Será que ter um público importa?

     Me peguei fazendo essa pergunta a mim mesmo hoje. Eu passei todo o começo da minha adolescência com vontade ter algum cantinho meu na internet onde eu podia documentar a minha vida de uma maneira mais detalhada do que tweets e a bastante ocasional postagem no instagram, pra mim, o único caminho que eu tinha encontrado em fazer isso era criar um canal no YouTube, mas eu nunca tive a coragem de narrar um vídeo ou de mostrar meu rosto numa câmera, por mais que eu tenha vontade, eu não sou feito para isso, eu acho, pelo menos.

    Claro que ainda há tempo, eu só tenho míseros 16, mas parece que, se fosse pra eu fazer algo com isso, eu já teria feito, sabe? esse ano vai fazer 10 anos da criação do meu primeiro canal (que foi deletado por eu estar abaixo da idade mínima para a criação de uma conta),e eu sinto que meio que perdi uma oportunidade no meio desse período de tempo.

    Seria egoísta da minha parte querer ter um público que me escute? Seria egoísta achar que eu sou um pedaço inútil de potencial desperdiçado? Na verdade a parte mais egoísta de todas é achar que eu tinha um potencial pra começar.

  

26 de janeiro de 2024

Meu comentário sobre IA e a Teoria da internet morta

     Chegamos a um ponto onde a IA Generativa se tornou capaz o suficiente para ter outputs convincentes, e, eu sinto que a maioria das pessoas não entende o peso e a importância disso, é um ponto de virada na história da tecnologia tão grande quanto a invenção da internet, alguns até chamam de uma nova revolução industrial, e eu odeio isso, demais.


    Vai, pode ir, me chame de ludita o quanto quiser, talvez você até esteja certo, mas, não é possível que só eu esteja vendo as coisas ruins que estão surgindo como resultado de chatbots modernos e plataformas de difusão de imagens. Vamos por partes.

    Primeiramente, os chatbots de IA responsáveis puramente por output em texto, como o Character.AI e o ChatGPT já se demonstram capazes de resolver problemas símples e imitar personagens fictícios, desde que sejam dados Input preciso o suficiente, só isso já traz alguns problemas, a primeira que me vem em mente é a implicação negativa que isso tem pra educação. Tenho colegas de classe que não escreveram um único texto ou redação durante o ano inteiro, só pediram pro ChatGPT fazer e ainda receberam uma nota aceitável. Mas isso não é o que eu quero falar sobre, e sim o sucateamento das redes sociais e a criação desenfreada de bots se passando por pessoas nas redes sociais, principalmente o Twitter.

    Olhando com hindsight, a coisa mais estúpida que o Elon Musk disse em sua lista infinita de coisas estúpidas que ele fez é com certeza a promessa dele de solucionar o problema de bots no Twitter, na verdade ele triplicou o problema.

    Talvez seja só timing ruim que coincidiu com o lançamento do GPT-4, mas é só digitar alguma das palavras chave a seguir que você vai entender do que eu estou falando:  "IPTV", "Metamask", "Can't log in", "eth", "account got hacked", entre muitos, muitos outros.

    Parece que as primeiras vítimas da Teoria da Internet morta vão ser os image boards e o twitter, tudo que você precisa é de input de treinamento e poder de computação o suficiente para ter uma horda de bots customizados com a capacidade de infestar qualquer mídia social em pouco tempo. Já aconteceu com o /pol/, e está acontecendo com o Twitter agora mesmo, só olhar pros comentários de uma postagem popular ou pra conta @DeadTheory__, que compila algumas postagens de bots.

    Minha pergunta que fica é: Quem está fazendo isso? e porque? algo que é possível notar no Twitter é que todas essas contas, senão a maioria delas tem uma assinatura do twitter-blue ativa, seria isso uma maneira de inflar artificialmente os números do twitter pra satisfazer o ego de seu dono? Quem sabe.


    Eu poderia tocar no ninho de vespas que é a criação de imagens com IA generativa, como o Stable Diffusion ou as versões mais avançadas do DALL-E, mas eu acho que vou evitar fazer isso dessa vez. Pra mim isso é mil vezes pior do que qualquer chatbot de texto poderia ser, além do óbvio roubo e uso sem autorização de imagens de artistas, fotógrafos e basicamente toda pessoa alheia que já postou uma foto na internet, o uso de versões "jailbroken" desses programas mostra que eles tem a capacidade de gerar literalmente TUDO, incluíndo imagens de cunho criminoso.

    Além disso, sites como o pixiv, artstation e deviantart se tornaram inutilizáveis por um certo período de tempo, até que essas plataformas adicionassem um filtro ou check que oculta essas imagens caso o usuário queira. Eu achei isso bem tosco, uma solução "band-aid" pra um problema bem maior, a maioria dos artistas quer a proibição disso, não uma maneira de só ignorá-las.

    Eu acho que a IA vai continuar causando esses tipos de problemas até que ela seja devidamente regulada, minha preocupação é que isso vai demorar bastante pra acontecer, pelo menos enquanto as pessoas no poder continuem sendo idosos com o pé na cova que acham que a internet ainda envolve só o orkut e o bate-papo do UOL... Leis envolvendo a IA deviam ser criadas ASAP, antes que isso fuja de controle e pessoas maliciosas comecem a usar essa ferramenta pra coisas ruins, apesar disso estar acontecendo literalmente agora, e ninguém parece se importar com isso...

    Se eu fosse falar sobre todas as coisas ruins possívelmente causadas por uma IA completamente capaz no futuro, eu ia ficar aqui por horas, parece que as pessoas por trás desses programas viraram cientistas malucos sem nenhum senso do que não devia ser feito pelo bem da humanidade, e começaram a prezar apenas o avanço científico. Eu espero que haja um "gentlemen's agreement" entre cientistas, que nem houve com a tecnologia da clonagem, que aparenta ter toda a capacidade de clonar uma pessoa por completo, mas nunca o fez, simplesmente por motivos morais e éticos.

    Ética. Era essa a palavra que eu estava procurando.

    Obrigado por ler.

23 de janeiro de 2024

Parachutes e A Rush of Blood to the Head

Ninguém se importa com as músicas atuais dessa banda, mas, ei! Pelo menos eles fizeram algo legal no passado.
 

Num mundo pós Britpop e Cool Britannia visto na virada do milênio, a Grã Bretanha parecia estar aos poucos saindo dos holofotes culturais, dando espaço a estética Y2K, o otimismo relacionado a evolução tecnológica e as mudanças no design de tudo ao nosso redor, porque, realmente, durante aquele período, as coisas pareciam estar partindo para o melhor, o milagre econômico japonês e a bolha .com trouxeram a ilusão de que um mundo pós-guerra fria seria repleto de paz e de melhorias econômicas em todo o globo. Por isso, talvez tinha chegado a hora de deixar as estéticas inglesas no passado.


Com o passar do tempo, as coisas começaram a se mostrar como realmente eram, o milagre econômico do país asiático havia estagnado há um bom tempo, e a bolha .com era só… uma bolha.


Talvez as coisas não eram tão diferentes assim no novo milênio.


Então, em julho de 2000, ‘Parachutes’ era lançado ao público, e o Coldplay se aproveitou da tempestade perfeita para criar uma das bandas mais famosas do milênio, um título que os pertence até hoje, com mais de 75 milhões de ouvintes mensais, só no spotify, na data de escrita dessa postagem.

Mas não foi só sorte, o álbum é bom, sim. Por mais que o povo cult atual discorde, os singles principais (Shiver na europa e Yellow no resto do mundo) já justificavam a compra de um disco para a maioria das pessoas, “Yellow” em específico caiu no gosto da MTV, que transmitia o videoclipe bastante durante seu lançamento. Junte isso com o world tour “parachutes”, que realizou incríveis 131 shows em todos os continentes (exceto a América do Sul porque a gente sempre é deixado de lado…), e o primeiro álbum do Coldplay fechou sua janela de lançamento com absurdos 9 certificados de disco platina, de acordo com a BPI (Indústria Fonográfica Britânica).

 

        Eu pessoalmente não acho que parachutes é o melhor projeto dessa banda, por mais que os singles principais sejam bem divertidos, o restante das canções deixa a desejar, nem “Trouble” e “Sparks”, duas músicas que também ficaram populares depois do lançamento me interessam tanto assim. “Playing safe” parece definir bem parachutes, com a exceção dos seus maiores sucessos, nada se destaca do comum ou tenta sair dos moldes de música popular da época. Talvez o sucesso estrondoso de Yellow serviu como um bom indicador para a banda se inclinar mais no estilo de pop-rock, no lugar de algo mais “Mellow” e lento, que nem eles já tinham tentado. Por isso, seu próximo lançamento, “A Rush of Blood to the Head”, de 2002, tenta um “Approach” diferente, que, na minha opinião, funcionou muito mais do que sua tentativa anterior.
 

O segundo álbum do Coldplay, pra mim, quebrou o sophomore slump com estilo.

A Rush of Blood to the Head pegou as partes boas de parachutes e as triplicou, claro que os elementos de piano rock ainda estão presentes, bastante aparentes em tracks como “Amsterdam”, mas a quantidade maior de canções energéticas e alto-astral criam uma mistura equilibrada e um álbum que nunca fica entediante ou lento demais. 

 

 

 

Até os trechos mais lentos, que eu não tinha gostado tanto em parachutes ficaram melhores aqui, obviamente ‘The Scientist’ é o exemplo perfeito disso. Ela é popular por um motivo, na minha opinião, é a música mais bonita do Coldplay. A música utiliza da simplicidade ao seu favor, começando só com um piano-track simples, depois incluindo um violão, bateria, até chegar ao refrão principal, enquanto as letras tentam decifrar um romance entre pessoas que estão presas num ciclo de se separar e voltar a se relacionar novamente, “Running in circles, coming up tails”, tudo isso enquanto se ocupa com algum tipo de pesquisa científica ou acadêmica, e fracassando em equilibrar sua vida amorosa e sua vida profissional. “Pulling the puzzles apart; Questions of science, science and progress, do not speak as loud as my heart”.





Mas não é isso que torna esse disco melhor que seu antecessor, e sim a quantidade impressionante de músicas mais puxadas pro estilo do pop rock, como “Politik”, “Clocks”, “In My Place”, “God Put a Smile Upon Your Face”, entre outras. Em geral, a direção que a banda tomou nesse disco deu extremamente certo, porque seu disco sophomore foi um sucesso tanto crítico quanto comercial, sendo certificado 10x platina no Reino Unido, e no restante do globo atingindo sucesso similar ao de sua estréia.




 
 

Nos anos seguintes, a banda ainda teve seus bons momentos aqui e ali, “Viva La Vida” foi um dos singles mais populares de 2008, e, pessoalmente, é uma ótima música para graduações ou festas. Mas, parece que o Coldplay vem sofrendo em igualar a qualidade das músicas que eles fizeram no começo do milênio, afinal, o dinheiro já está vindo aos montes, eles não precisam se esforçar mais e sabem disso! Não os culpo, eu provavelmente faria o mesmo se estivesse nos sapatos deles.

Em conclusão, escute ambos esses discos, e esqueça do resto.

NOTA FINAL - PARACHUTES: 3.6/5

NOTA FINAL - A RUSH OF BLOOD TO THE HEAD: 4.2/5


espero que essa review tenha sido coerente o suficiente pra alguém entendê-la. Obrigado por ler e até a próxima.

 

 

9 de janeiro de 2024

Uma reflexão sobre 2023 e planos para 2024

 Feliz ano novo!

    Espero que todos tenham tido um excelente 2023, e espero que tenham um 2024 ainda melhor!

    Nessa postagem eu quero observar as coisas que eu fiz no ano passado e pensar sobre o que eu quero fazer em 2024.

    Começando em 2023, óbvio.
    
    2023 foi O ano em que o maior número de coisas estavam acontecendo comigo ao mesmo tempo, e mesmo assim eu não me lembro de muita coisa, obviamente, o destaque dos primeiros meses do ano foi passar num vestibulinho e ingressar num curso técnico, algo que, de longe foi o que mais me impactou durante esse período. Pela primeira vez em um bom tempo estava num ambiente novo, com gente que eu não conhecia e eu fui forçado a me adaptar, eu, como o gênio da socialização que sou, achei que até que as coisas foram bem. Consegui fazer um círculo de meio-que-amizades relativamente rápido e acabei me acomodando um pouco nesse quesito. Se eu pudesse voltar atrás, talvez eu teria falado menos coisas estúpidas e teria sido um pouco mais privativo sobre mim, acidentalmente meu caderno de desenho caiu nas mãos erradas e pelo restante do ano fui taxado de ser o furry esquisito da sala de aula, algo que me fez praticamente desistir de desenhar, e algo que eu ainda não retomei.
 
    Fora das salas de aula, 2023 também pareceu como um ano de grandes mudanças pra mim. De repente, eu estava jogando menos videogames, usando mais o youtube, programando de vez em quando, tentando aprender algo, porém, ao mesmo tempo, também comecei a usar muito mais redes sociais do que eu costumava.
     Parte disso se deu porque o meu computador não conseguia mais rodar praticamente nenhum jogo, e eu fiquei por fora do espaço gamer por grande parte do ano (exceto em julho, talvez, quando comprei VIP no servidor do FlameMC de Minecraft e praticamente passei o mês inteiro jogando...), ou seja, eu substituí um entretenimento como os videogames pelo apodrecimento cerebral das redes sociais. Francamente, eu ODEIO usar redes sociais tanto quanto eu uso, e, pessoalmente, acho que, as vezes, ficar jogando é menos prejudicial do que passar horas no twitter...

    Pela primeira vez em um tempo, eu me ví tentando aprender sobre mais coisas, tecnologias novas, e até comecei um "curso" de django e python, onde o objetivo final era fazer um blog, acontece que os arquivos dessa pasta se corromperam, e eu decidi sucumbir ao blogspot, que, no final, não foi tão ruim assim.

    Em 2023, por incrível que pareça, eu pratiquei mais atividade física do que nunca, terminei o meu contrato de academia, indo de 3 a 5 vezes por semana (continuo magrelo e feio), e, na segunda metade do ano comecei a praticar esporte 2 vezes por semana, além de caminhar bastante todos os dias. Espero continuar assim.

    Agora, partindo pra 2024...
 
    Pra mim, aqui começa minha vida de vestibulando pra valer, ENEM, FUVEST, FATEC, qualquer prova que estiver na minha frente eu pretendo fazer, até passar em alguma universidade que preste. Esse fim de semana mesmo fiz a prova da FATEC, achei relativamente tranquila pra uma prova que devia ser nível 3º ano, sendo que eu sou um aluno do 1º indo pro 2º, mas FATEC não é o meu objetivo... Tá mais pra um plano D, caso todo o resto falhe. Mesmo assim, estou curioso pra saber se passo, escolhi o curso com maior demanda da minha cidade, já que o resultado não importa, também serve como treino de redação. Tive 42 acertos de 54.

    Continuando no tópico de estudos, chegou a hora de estudar computação direito. Desde 2020, quando descobri o canal do Brackeys estive num vai e vem com o estudo da programação, as vezes olhando python, web, arduino, et cetera, mas dessa vez, comecei com o curso CS50X da harvard, e pretendo também fazer o CS50P, para Python, e CS50W, para webdev, quanto mais cursos eu conseguir fazer, melhor.

    O último tópico acadêmico, juro, é aprender japonês, o máximo que der durante o ano, não vou quebrar uma streak de 200 dias que nem eu fiz ano passado! Juro... além disso, vou treinar com o Anki e com imersão, no Anki, estou usando o Deck Core 2K/6K, que tem 6000 palavras bastante usadas na língua, e, de vez em quando leio o guia de gramática do Tae Kim, pra não ficar só no vocabulário.

    Falando em ler, eu URGENTEMENTE preciso ler mais esse ano, perto da virada, comprei 2 livros com um cartão de presente da livraria leitura que ganhei num amigo secreto, e comprei A Hora da Estrela, da Clarice Lispector e 1984, de George Orwell, estive lendo muito pouco recentemente e quero que isso mude, pretendo ler mais e comprar mais livros esse ano, e livros pra ler por diversão e entretenimento, não por obrigação.
 
     Obviamente, quero fazer muitas coisas a mais esse ano, escutar mais música, (tentar) voltar a desenhar, entrar pra atlética da minha escola, só coisa fácil... espero que o burnout não dê as caras nos meses seguintes e que eu dê conta do tranco.
 
    Sei que esse post demorou mais do que devia, 10 dias se passaram desde o ano novo, mas eu comecei um post bem longo sobre um certo artista brasileiro e passei alguns dias estudando ou fora de casa e me esqueci das minhas resoluções de ano novo. Se eu não abandonar esse site até lá, no começo de 2025 vou retornar pra essa postagem e novamente refletir sobre as minhas ações, até lá, e um bom resto de ano!
 
-Felipe

31 de dezembro de 2023

Falando sobre o meu animal favorito porque eu não tenho nada melhor pra fazer

      Essa vai ser de longe a postagem mais aleatória e sem sentido que eu fiz nesse site até agora, então não precisa ler ela, pode ignorar, eu só quero yeappear um pouco e registrar pensamentos sobre a orca.

    Como que esse animal consegue invocar tantos sentimentos em mim ao mesmo tempo? O nome Orca é puxado diretamente do latim, "Orcus", significando 'deus da morte'. O que um animal tem que fazer pra merecer esse título? O quão brutal, grandioso e majestosa sua presença tem que ser pra chamar a atenção de tudo que o rodeia? E por que diabos um dos assassinos mais inteligentes da natureza é tão adorável?

 

 

    Basta jogar Orca no pinterest que você consegue achar fotos e edits de pessoas colocando olhinhos bonitinhos e estrelinhas ao redor desse bicho apelidado de deus mortífero, então eu com certeza não sou o único que compartilha esse sentimento sobre esse animal. Talvez isso seja o resultado da criação de mídia pela SeaWorld, que nos fez acreditar que esses animais são que nem golden retrievers do mar, super dispostos a interagir com humanos e receber petiscos de peixes pequenos, mas, a minha percepção pessoal da orca como animal não é definida por sua brutalidade, nem por sua "docilidade", e sim por sua inteligência. Você já olhou pros olhos de uma baleia assassina? Quase escondidos pelas manchas brancas que se parecem com olhos grandes e redondos, os verdadeiros olhos de uma orca passam um sentimento de... consciência, como se alguém realmente estivesse lá, ciente dos seus arredores entendendo tudo que está acontecendo com ela e com os outros seres vivos perto dela. A beleza realmente está nos olhos, Belaf.

Orcas eyes can be blue, brown,... - Jpod(Southern Residents) | Facebook 

Killer whale pfp in 2023 | Cool sea creatures, Beautiful sea creatures,  Ocean creatures 

Ambas essas imagens são do mesmo animal...

    Foi provavelmente assistindo Blackfish, ou lendo algum artigo aleatório que eu descobri como as Orcas tem partes do cérebro que nem os humanos tem, algumas fazem sentido, como o seu córtex paralímbico, que aguça os sentidos se localização e memória espacial, é CLARO que um animal desses teria que ter memória espacial melhor do que a de um humano, num oceano onde tudo é água e tudo parece ser igual, saber onde certas coisas estão é uma baita mão na roda. Mas, não é isso que me intriga, a orca em específico tem as características sociais extremamente afiadas, num nível que rivaliza ou até ultrapassa o senso social de um humano. Um baleal (acho que esse é o nome de um grupo de baleias) é uma pequena sociedade muito complexa, hierarquizada, matriarcal, onde cada grupo pode chegar a 15 membros e cada um com suas infinitas nuâncias entre sí.

    Eu não consegui achar uma resposta concreta para isso, mas, se uma orca realmente tiver um cérebro que processa mais sentimentos do que o de um humano, eu me pergunto como que é esse sentimento de sentir algo além da compreensão humana, seriam elas apenas versões mais profundas de felicidade, tristeza, inveja, ou seriam coisas completamente novas, que a gente não consegue nem imaginar em sentir? Sendo a Orca um dos animais mais cobiçados na caça e no cativeiro, eu penso, o quão pesado é o sentimento de ser separado de seu grupo pelo resto de sua vida? Talvez isso seja só uma nóia minha depois de assistir blackfish, mas é só um pensamento que passou pela minha cabeça.

    É deslumbrante presenciar a inteligência desse animal, seja na natureza, ou, infelizmente, em cativeiro. parece que com cada vídeo que eu assisto sobre esse animal, ele fica mais humano, até mais do que alguns humanos de verdade, qualquer vídeo de documentário da natureza que registra animais marinhos vai dar um bom exemplo do que eu estou falando.(Abaixo, um dos meus exemplos favoritos, do BBC Earth.)


    Mesmo assim, um animal que possui tanto poder cru de destruição, misturado com imensa inteligência, não devia ser tão amigavel com humanos do jeito que as orcas são, simplesmente não faz sentido! Na natureza, o medo do desconhecido é uma força que garante a sobrevivência de múltiplas espécies, mas parece que esses animais sabem quando um ser humano não apresenta perigo, tanto que, não há nenhum ataque de orcas em humanos registrados na natureza. (Todos os ataques registrados ocorreram ou em cativeiro, ou em parques de diversão... Hm... Por quê será?)

    Outros animais que são inteligentes, como Corvos e Elefantes, podem sim entender humanos e suas intenções, mas nenhum com tanta clareza como a Orca, animais desta espécie que acabam isolados ou separados de seu bando procuram companhia com outros animais inteligentes, entre eles, humanos. O meu exemplo favorito disso é a adorável Luna-L98, uma baleia que, antes de morrer, brincava com barcos e seus tripulantes na área em que habitava, isso tudo resultou num documentário sobre ele, e o meu vídeo favorito no youtube:

 


(Primeiro vídeo: Documentário sobre a Luna - Segundo vídeo:gravação independente, mais curta da Luna, um dos meus vídeos favoritos do YouTube.)

    Sinceramente, eu podia ficar um monte falando sobre esse animal aqui, talvez esse seja o resultado de mais um hiperfoco em animais marinhos meu (depois de tubarões e golfinhos), mas acho que vou parar por aqui, em conclusão: Assistam Blackfish, e parem de capturar orcas, por favor :(.


Um feliz ano novo.

24 de dezembro de 2023

Review de Disco: Slowdive - Just for a Day

Um marco histórico de uma era esquecida.

     

Pela primeira vez estamos presenciando um retorno do shoegaze no mainstream musical, depois de um período de inatividade nos anos 2000, onde poucos projetos notáveis eram lançados e a maioria que era caiu no esquecimento. (sujeito a exceções, como Texas Jerusalem CrossroadsVelocity : Design : Comfort)

    Os primeiros sinais de um retorno a popularidade do shoegaze vieram em 2013, com o lançamento de M B V, depois, em 2017 com o retorno de Slowdive, e seu disco auto-entitulado.

    Desde então, mais bandas e projetos surgiram, entretanto, parece que parte da identidade do "Shoegaze-pré-Loveless" foi sendo esquecida com o tempo, e os aspectos de Dream-pop foram sendo deixados de lado para dar espaço pra mais reverb e pedais de efeito.

     Just for a Day, disco de estréia da banda Slowdive, foi o álbum mais marcante do gênero até o lançamento de loveless, um título que não durou muito, pois o mesmo saiu apenas dois meses depois da publicação de Just for a Day. Esse disco é o exemplo mais brilhante de como era o shoegaze antes do My Bloody Valentine mudar todo o cenário, as canções longas, melódicas e lentas proporcionam uma atmosfera imersiva que poucos discos conseguem rivalizar, é um daqueles projetos pra começar a escutar e simplesmente afogar no som.

    Desde a primeira música, a banda já estabelece os aspectos de dream-pop e o sentimento de que aquela música realmente veio de um sonho, criando relações com a natureza e usando vocais distantes, embaçadas, as quais você entende uma frase ou outra, mas acaba tendo dificuldades pra entender o resto. Que nem num sonho mesmo, a gente se lembra de partes dele mas o restante fica como um borrão na nossa mente.

     Spanish Air é uma excelente introdução, já estabelecendo uma "vibe" e estilo melancólico, mas não deprimente, que a banda segue pelo restante das músicas, além de ter um refrão impactante que destaca as guitarras e aumenta o volume, numa canção que, de outra forma, seria muito lenta e desinteressante para uma introdução.

    Esse estilo continua, mas com menos energia na segunda música, Celia's Dream, que, por sinal, tem várias semelhanças com Pictures of You, do The Cure, desde as letras românticas até os sons de sinos espalhados ao redor. Gosto principalmente do último quarto da música, onde não há letra nenhuma, e a distorção das guitarras ganha o foco de quem estiver escutando, uma ótima conclusão. 

    A terceira música, é de longe a mais famosa e mais marcante do disco, se sobressaindo do resto e praticamente ganhando o status de um single, Catch the Breeze merece esse título. Tudo se encaixa nessa música! Culminando no refrão perfeito, que fica mais grandioso cada vez que retorna. 

       Ballad of Sister Sue fecha a onda de acertos da banda, com um refrão interessante e um som enigmático, a sua sequência, Erik's Song Deixa a desejar. É uma música completamente instrumental, algo que, numa playlist de shoegaze instrumental solta se encaixa perfeitamente, mas no meio desse disco, sua melhor função é servir como uma pausa entre as intensas distorções e reverberações, apesar de que eu achar que uma música instrumental seria a oportunidade perfeita para arrebentar e tentar criar algo realmente diferente.

    Assim o álbum segue, mas sua segunda metade deixa um pouco a desejar, parecem canções com potencial desperdiçado após uma sequência de acertos na primeira metade. Entre Waves, Brighter, The Sadman e Primal, todas essas músicas apresentam um conceito ou um som interessante que poderia levar para uma excelente canção, mas parecem ou cair no repetitivo ou se perder no meio do caminho. Não me entenda mal, todas elas tem pontos positivos e algo para elogiar, mas aí eu ficaria aqui por mais tempo do que o necessário. Dentre essas, as minhas favoritas são Waves e Primal.

    Just for a Day invoca o sentimento de deitar na grama e tentar olhar pro sol, de um sonho de uma noite de verão ou do que você quiser, mas deixa aquele gostinho de que algo melhor poderia ser saído disso, e daquele "Quero mais", ambos sentimentos que seriam atendidos pelo segundo álbum da banda, o aclamado clássico Souvlaki, Em geral, foi um ótimo primeiro passo para o que viria a se tornar uma das bandas mais duradouras e aclamadas do Shoegaze.

Nota Final: 4.2/5

Muito obrigado por ler até aqui, e desejo um feliz natal para todos!